Alltypes na cabeça – Anúncios feitos de títulos
![]()
Anúncio da British Heart Foundation
O maior desafio de um redator é criar um anúncio que não precise de título. Eu mesmo acho que nunca criei um que dispensasse meus préstimos trocadilhísticos. E vi poucos assim, sem letras, só visual artístico. Na verdade, me lembro agora de unzinho, da Africa para a Africa, com os mascotes de Assolan e Vivo acondicionados numa poltrona e o logo da agência pendurado na parede. Lindo.
Só que eu jogo no time dos bons criadores de títulos grandões. No mínimo, dos apreciadores dos bons criadores de títulos compridos. É bacana soltar as letras e se prender à síntese só no corpo do texto. Acredito que o melhor momento do anúncio sempre foi do título. Título pequeno desperta para a imagem, texto, sacada. Título grande fisga logo de uma vez, quem sabe, sem amarrar para o texto, sem depender sumariamente da imagem; arremessando a leitura para a assinatura.
Sem cerimônias: que redator não é adepto de um alltype?
Conheci até diretor de arte que era, pois assim ele não queimava tanto fosfato, a produção do anúncio ficava muito mais em conta, o redator se achava “o” cara e pronto. Todo mundo saía satisfeito. Alltype é phoda. Mostra a que veio o criador. As glórias são todas nossas, migorredator.
Certa vez, enchi meu portfólio de alltype. Para procurar emprego como redator, funcionou mui bien, obrigado. Já o diretor de arte não teve a mesma sorte. Mais tarde, teve de refazer as peças com os mesmos títulos, dando funcionalidade à direção de arte.
Por isso, levanto a bandeira prol títulos gastadores de tinta de impressão.
Esqueça a síntese, lute contra os espaços minúsculos para os nossos suados títulos pensados e, por isso, compridos. Use e abuse do ritmo que as palavras oferecem. Uma leva a outra, a outra leva a uma e fica mais poderoso se tiver mais uma. Além do mais, gente, outdoor anda restrito mesmo. O lance é escrever títulos. Compridos.
E se ainda assim não tiver espaço para o seu título no anúncio ou não aprovarem o seu título grande, taque na gaveta que um dia ele se torna um grande título. E crie um anúncio que não precise de texto. Como revolta mesmo.
Alltypes bacanudos:
ABP
Xerox
O Globo
Banco Volkswagen
Mohallem Meirelles
Dica:
http://ilovetypography.com/
As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.
Se você gostou deste artigo, assine o RSS feed da Casa do galo. Você também pode receber os artigos por e-mail.
Mauro Sérgio de Morais está redator e tem alguma experiência. Também tem alguns prêmios e uma dificuldade tremenda em escrever currículos na terceira pessoa. Escreve de vez em quando para a Casa do galo, às sextas-feiras.
maurosergiomsm@yahoo.com.br | http://www.psvsite.com
Últimos artigos escritos por Mauro Sérgio
- Falaí, CriativO
- Eugência
- Propaganda com cara de propaganda ou Para onde foram os jingles?
- Hoje não quero falar sobre Publicidade. Quero falar sobre Design
- Diretor de criação de M* ou Diretor de criação por méritos. Qual dos dois você quer ser?
- De quatro pra Casa – Dois anos de Casa do Galo
Mauro Sérgio já escreveu 50
artigo(s) para a Casa do galo.
Leia as colunas anteriores do(a) Mauro Sérgio.
Este artigo tem as seguintes tags:

Mauro Sérgio de Morais está redator e tem alguma experiência. Também tem alguns prêmios e uma dificuldade tremenda em escrever currículos na terceira pessoa.
Escreve de vez em quando para a Casa do galo, às sextas-feiras. 









Deixe seu comentário!