Alguém precisava falar sobre salário

Fiz uma listinha de tudo o que já tratei sobre Publicidade nas minhas bagunças às sextas (é mentira, mas faz de conta que é verdade) e a coisa afunilou para um assunto meio tenebroso, daqueles que o patrão tem medo de tratar com o funcionário e que o estagiário fica idealizando quando paga pau para o texto do redator publicitário: o salarinho nosso de todo mês.
Salário, o popular “pagode”, que no Espírito Santo é chamado de “courinho de rato” e na Bahia é conhecido como “faz-me rir”.
Curiosidade à parte, por aí é o quê, hein? Um mera pergunta no lugar de meu nome no MSN me fez receber cerca de dez mensagens sobre os apelidos dados ao nosso sofrido salário.
- Quanto você ganha? é uma das perguntas mais indelicadas que alguém pode fazer, mas com o tempo de convivência e também pelas conclusões tiradas através das pistas deixadas dia a dia, a gente a) imagina a base salarial dos pares ou b) faz um troca-troca da informação sem a menor cerimônia:
- R$500,00
- Só? R$3.500,00.
- Mas eu estou só a dois meses e meio aqui, né…
- Uhum.
Particularmente, acredito que nós somos divididos em dois grandes reinos: os que têm experiência e os que não.
No reino dos que têm experiência, duas são as espécies: os que chegaram lá e estão confortáveis economicamente, e os que devem pular de galho em galho até chegar lá. Esses macacos, quase que num ritual anual, devem pleitear melhores propostas e, através disso, adquirir poder de negociação salarial:
- Recebi uma proposta interessante, mas o meu desejo é permanecer na agência.
- De quanto é a proposta?
- 60% a mais do que o meu salário atual.
- Se a gente cobrir a oferta, você fica?
Ou:
- Recebi uma proposta interessante, mas o meu desejo é permanecer na agência.
- De quanto é proposta?
- 60% a mais do que o meu salário atual.
- Tchau.
Não há segredo. Digamos que, para ser da espécie dos que chegaram lá, é necessária uma certa evolução de sua espécie. (In)Felizmente, há os que estagnam em seus empregos, adquirem experiência mas não aproveitam a capacidade financeira proposta por ela. É uma subespécie que acaba se condenando a salários baixos.
Já no reino dos que não têm experiência está a espécie universitários, que deve se submeter a qualquer migalha para adquirir experiência. Até pagar estágio tá valendo.
Conheci um cara que recusou uma vaga de assistente de redação na AgênciaClick, porque lhe foi oferecido R$600,00, e ele ganhava o dobro fora da área. Pois um ano mais tarde teve de aceitar os mesmos R$600,00, caso contrário não trabalharia com criação publicitária.
Portanto, ou vai ou raxa. Começar na área é sujeitar-se a migalhas. E, uma vez com alguma experiência, faça dela escada para almejar melhores condições financeiras.
Falar de salário é bastante complicado se pensarmos fora do eixo Rio-São Paulo.
Um estudante baiano me falou que por lá o mercado anda saturado, prostituído.
Do mesmo estado, conheci um diretor de arte com R$5.000,00 de salário, sem contar a vista pro mar e todas as coisas boas que a Bahia tem. Na boa, eu consideraria como um courinho de rato correspondente a R$10.000,00, fácil.
No interior paulista, a média é de R$1.500,00 e relativamente baixa, creio eu.
Mas por incrível que pareça, já me ofereceram isso para trabalhar em São Paulo, o que me arrancou um sorriso sarcástico, daqueles que afirmavam que, no interior, com experiência, ganha-se pelo menos duas vezes a mais, sem contar a qualidade de vida.
Tá, também falta praia, como no caso do diretor de arte da Bahia citado acima, que hoje encontra-se em São Paulo com o mesmo salário que ganhava em Salvador. Atrás de seu sonho de se encaixar em uma big agência, ele deixou a vista pro mar, veio pra Sampa, e já anda querendo voltar.
Ene são os fatores a se levar em consideração na hora de se fechar um salário. Não é tão simples achar pouco, muito, bom, médio, ruim. Mas que uma coisa fique certa, a espécie estudante é a largada para um dia chegar lá, desde que se aproveite com afinco essa passagem.
Agora me diga, em que reino e/ou espécie você se encontra?
Convenhamos, esta é uma questão bem melhor do que perguntar sobre salário.
Abraços.
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Mauro Sérgio de Morais está redator e tem alguma experiência. Também tem alguns prêmios e uma dificuldade tremenda em escrever currículos na terceira pessoa.
Escreve quinzenalmente para a Casa do galo, às sextas-feiras.
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É Mauro, esse é um assunto delicado, quando não “proibido”, em 99% das empresas.
Sem falar na sacanagem que fazem com a gente nos trnando reféns de uma situação ‘boa e conveniente’ para a empresa e ruim para nós. Se é que assim pode-se dizer.
Odeio mesmo a falta de compromisso com essa coisa de ser PJ. Se for pra ser PJ, faço em casa. Escrevi sobre isso outro dia no meu blog.
No fim das contas, quem tme mais experiência, tem que saber impor suas condições para merecer o que pede $$.
[]’s
Geo
Um lugar aonde eu já trabalhei paga muito bem os seus estagiários; Mas quando chega a hora de ser contratado… é um miserê.
Sei, sei…
E eu? Publicitário formado, até prêmio eu tenho, (vê se pode??) Mas sai da faculdade no fim do ano passado, com quase nenhuma experiêcia em agência, mas um enorme tesão por estar “dentro” delas.
Agora sofre com a incredulidade dos “experientes”, e talvez me defina como uma contradição ” O publicatário sem mercado”,
Sou um “Hermes Trismegestus”, tentando assinas com uma tinteiro a autoria daminha Tábua de esmeraldas! Assim não dá!
Estou no reino dos que não têm experiência, um universitário apto, encarando a vida para depois ela me encarar.
Eu já trabalhei muito tempo quase de graça, ganhando ninharia.
eu recebo meu salário em 3 parcelas, sem juros.
Eu estou naquela parte em que se adquiri experiência…
mas felizmente as ‘migalhas’ são bem boas para quem está apenas no 3° período de faculdade.
Muito bom o artigo.
Eu estou quase me formando, faço estágio bem na área que eu quero, porém a remuneração.. é ruim mesmo, mas algumas coisas a gente tem que se contentar.
Porque se eu quisesse podia ta trabalhando sendo redator/diretor de arte/atendimento pelo dobro, quem sabe o triplo, mas prefiro continuar assim, pelo menos agora.
Abraço!
Em Aracaju você nunca verá um diretor de arte, muito bom, ganhando R$ 2.000. O mercado daqui exige pessoas qualificadas para a área, mas não consegue encontrar essas pessoas. É meio contraditório mas é o que vemos aqui. Para você ter uma idéia, muitos dos profissionais que temos vieram de Salvador.
Pois é Mauro, é por essas e outras que nesta área por enquanto meu patrão sou eu mesma. Conheço os “três” lados da moeda. O primeiro lado são os profissionais que preferem não arriscar e ficam estagnados na empresa sujeitando-se a um salário merreca sem ascenção, o segundo lado são os desbravadores super feras que podem até receber um “não”, mas pelo menos tentaram, o terceiro lado (a lateral da moeda) fica para os que nascem virados para lua ou tb são super feras e conseguem a melhor fatia do bolo.
Na melhor das hipóteses eu arrisco tudo, e por enquanto prefiro ser patroa de mim mesma. A parte boa é que meu salário (pode até não ser dos melhores) mas eu mesma faço, a parte ruim é que não sinto aquele frio na barriga na hora de pedir um aumento que talvez consiga! rs
abraços!
ja estagiei de graça, mas valeu muito a pena, pois se não fosse essa experiência não estaria numa posição legal na qual eu estou hoje.. só não posso dizer que meu salário é bom.. mas pra quem acabou de sair da faculdade, ta lindo!
o negócio é dentro de um ano botar a cara na sala do chefe.. e aí tem q ter moral pra pedir mais não é!? então ainda tenho q ralar muuuito!
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O Fantástico Mundo Animal da Propaganda (só pra parodiar o belo artigo da semana passada do Ricardo Chermont) tem espécies mais marcantes do que o Tony, The Tiger ou cachorro da Cofap. Não, eu não estou falando de donos de agências burros, clientes topeiras ou diretores de arte pavões. Estes são mais comuns.
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Não é de hoje que o tema gera polêmica, a publicidade é ou não arte? Uns pensam que sim, outros têm certeza que não. Eu fico com os que pensam que não. Isso não quer dizer que não valorize a profissão ou o trabalho que nela desenvolvemos. Penso só que arte é outra coisa.
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