Agência de publicidade sem energia elétrica

Criativo sem pasta
Atendimento sem lábia
Sou eu, assim, sem você
Montador sem cola
Agência sem boiola
Sou eu, assim, sem você…
Porque é que tem que ser assim?
Se o meu layout não teve fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil velas errantes
Vão poder ligar meu micro
Texto sem errinho
Mídia sem planinho
Sou eu, assim, sem você
Agência sem palhaço
Calhau sem cagaço
Sou eu, assim, sem você…
Tô louco pra te ver chegar
Tô louco pra apertar o botão do on
Brigar pelos meus prazos
Retomar meu cansaço
Que falta faz a criação…
Eu não existo longe de você
E a escuridão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas a Eletropaulo tá de mal comigo…
Por que? Por que?
———————————————————————-
Ontem, dia 16/4/08, a minha agência ficou no escuro. Um poste da Rua Helena teve três ou quatro explosões, não lembro exatamente, que acabaram com a energia da redondeza. No começo tudo é festa: falta de luz resulta em pausa no trabalho. Eram 11h30, e todos tinham recebido a desculpa certa para saírem mais cedo pro almoço. Para uma agência que atende muitos clientes imobiliários, fazer uso de humor negro nessas horas seria motivo de riso geral. E foi: “Lógico que o poste ia explodir, destroem uma casinha com 3 chuveiros e 2 computadores e constroem no lugar 2 prédios daquele tamanho com piscina aquecida. Tá vendo só, culpa do mercado imobiliário”. O retorno da energia estava previsto para as 14h. E se você, alguma vez já ligou para a Eletropaulo quando estava no escuro, vai saber que essas previsões são tão assertivas quanto a de uma cartomante. Os restaurantes estavam escuros, os filés vinham mal-passados, porque os cozinheiros não estavam enxergando muito bem e o gelo começava a ficar escasso. Eram 13h40 e o carro da Eletropaulo estava estacionado no tal poste fazendo os consertos. De volta à agência, todos caíram na real: A grande maioria dos contatos estava salva nos Outlooks, então, como ligar para o cliente para tentar adiar a data de entrega do job, já que não tinha energia? Já que não dava para receber alteração de anúncio ou briefing por e-mail poderíamos receber via fax, mas como ligar o fax? E os anúncios do dia que não fossem cancelados, como finalizar ou enviar para o jornal? Xixi era mais simples, bastava levar o celular para iluminar. Mas e o calor? Que tirassem a blusa, poxa vida, e sem reclamações, pois, desta vez não havia sido um pedido das mulheres para que fosse desligado. O jeito era trabalhar pelo telefone, ou de casa. Quem ficou com primeira opção, por volta das 15h30 não teve mais para onde correr, pois a linha telefônica do prédio havia sido cortada. Restava então, fazer reunião ou aguardar a ser dispensado para ir embora. E daí que fiquei pensando toda a tarde sobre o quanto o mundo é dependente da energia elétrica, da internet e do telefone. Como é difícil, mesmo para nós publicitários, sermos criativos para encontrar soluções arcaicas de modo de trabalho. Vejam, por exemplo, que nem todos os diretores de arte de hoje sabem, efetivamente, fazer uma arte na mão. Ou que a grande maioria dos conteúdos está salvo em rede. Imaginem que pesadelo seria ter que voltar a estaca zero. É tão costumeiro ligar e desligar nossos aparelhos, que basta um dia sem energia elétrica para ver como uma agência pode ser prejudicada com a falta de luz. Definitivamente, bom mesmo era quando faltava luz na escola. Nessa vida de adulto, ficar no escuro em horário de trabalho ou é prejuízo, ou é almoço executivo.
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Bruna Rocha, 24, é atendimento da LongPlay360°. Tem um passado meio obscuro na área comercial, onde aprendeu as maravilhas do excel. Seu sonho reprimido é ser redatora, mas nunca tentou fazer um portfólio. Escreve para a Casa do Galo às quintas-feiras.
brunarocha84@gmail.com | http://www.longplay360.com.br
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É por isso que digo. Agente não pode mais viver sem Água e Energia elétrica. E ainda tem gente se matando por petróleo… logo logo não vamos mais sair de casa… o futuro vai depender da energia…
mas do que a realidade do seu texto é a forma como vc escreve…muito gostoso de ler…divertido e leve.
parabens
Maravilha de artigo, Bruna.
Aconteceu isso aqui na editora também há algumas semanas. Resultado? Todos pra casa.
Sinceramente, me lasquei de rir aqui com a paródia! hehe
Na escola era ótimo, rua todo mundo! Maravilha!
Maravilha? Na faculdade não foi assim. Semestre passado assistimos aulas com a portas e janelas escancaradas, num calor danado… Casa?
“Quem quiser, vá! Eu não vou fazer chamada. Mas o assunto de hoje, se não ia cair na prova, agora vai!”
Adorei.
Gutos’s last blog post..Eis As Crianças do Nosso Futuro?
“Que falta eu sinto de um ‘no break’
Que falta me faz o petróleo
Mas como eu não tenho ninguém
Eu levo a vida assim tão só”
(Tá, eu sei que foi tosco)
É Bruna. Já passei por essa situação em outra agência e realmente é patético ver o quanto somos dependentes.
Parabéns pelo texto!
Rafael Amaral’s last blog post..Benefícios, pessoas e marcas
Hahahahahahahahaha
Alessandro Ribeiro’s last blog post..Da série Bolachas de primeira da Casa - III
Que bom que vocês gostaram.
O problema de tudo isso é o day after né? Como diz nosso produtor gráfico, “isso aqui tá um show de horror”.
Melhor de tudo foi a paródia.
Tiago Fidelis Moralles’s last blog post..Sujando as mãos
Olá pessoal,passei por aqui,p/ dizer que ja ouvi falar muito de vcs.bjus.até qualquer dia desses.falow.essa agencia e de talento.xau xau.cris.
Oi Cris,
Obrigado, e volte sempre!
abraço
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O Fantástico Mundo Animal da Propaganda (só pra parodiar o belo artigo da semana passada do Ricardo Chermont) tem espécies mais marcantes do que o Tony, The Tiger ou cachorro da Cofap. Não, eu não estou falando de donos de agências burros, clientes topeiras ou diretores de arte pavões. Estes são mais comuns.
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Não é de hoje que o tema gera polêmica, a publicidade é ou não arte? Uns pensam que sim, outros têm certeza que não. Eu fico com os que pensam que não. Isso não quer dizer que não valorize a profissão ou o trabalho que nela desenvolvemos. Penso só que arte é outra coisa.
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