A saga da casa do Pedrinho
Eu achei que tinha me livrado daquele menino dizendo que só iria ao banheiro na casa do Pedrinho, mas não, o Pedrinho aqui na Inglaterra se chama Paul.
Agora analisemos esta obra de arte da Publicidade. Um menino chega em casa e quer fazer cocô. A mãe tenta convencê-lo a usar o banheiro, sem sucesso. Então eles aparecem em um banheiro que tem Glade na parede, entendo que só pode ser a casa do Pedrinho.
Agora vamos a vida real. O menino deve ter uns cinco ou seis anos de idade. Não conheço mais crianças dessa idade que ainda peçam ajuda da mãe para irem ao banheiro. Ele chega com uma mochila nas costas e diz que quer fazer cocô. A mãe, com toda sua psicologia de programa de TV feminino, diz “tá bom, vamos!”. O menino implica e diz que quer fazer cocô na casa do Pedrinho. Desde quando criança se importa se faz cocô aqui ou lá?
Na vida real, o pai ou a mãe dessa criança diriam, no mínimo, “então vai fazer nas calças, porque eu é que não vou pegar trânsito e bater na casa do Pedrinho só pra você fazer cocô”. Mas não, a mãe do comercial leva o menino à casa do Pedrinho. Na versão inglesa ele é ainda mais petulante, sai andando sozinho e diz “I am going to do a poo at Paul´s!“.
Agora imagine esta mãe batendo na porta da casa da mãe do Pedrinho ou do Paul e dizendo “sabe o que é, meu filho disse que só vai fazer cocô se for aqui”. No mínimo a mãe do Pedrinho se sentiria insultada. Mas não, ela leva mãe e filho ao banheiro com Gleid e, se bobear, deve dizer “volte sempre” na saída.
Eu ainda não consegui descobrir quais foram os publicitários que fizeram esta campanha. Mas juro que faria questão de ter participado das reuniões de briefing e ter assistido de camarote o dia da apresentação para o cliente.
- Então, vejam bem, é aí que a criança diz que não, que só vai fazer cocô se for na casa do Pedrinho!
- Aaaaaaah – em coro.
- Genial… – sussurra um lá no fundo.
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Milena Castino, 29, é publicitária e contadora de histórias. Trabalhou na Neogama, no marketing da Iódice e liderou projetos de marketing para a Associação Brasileira de Estilistas. Nas costas leva dezenas de semanas de moda em Paris e São Paulo, além de uma mochila repleta de sonhos. Mora na Inglaterra, depois de ter cruzado o Atlântico por amor. É apaixonada por palavras, Clarice Lispector, Almodóvar e pela boa e velha propaganda brasileira. Escreve para a Casa do galo frequentemente, em dias incertos.
micastino@yahoo.com | http://sambadegringo.wordpress.com
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Milena Castino, 29, é publicitária e contadora de histórias. Trabalhou na Neogama, no marketing da Iódice e liderou projetos de marketing para a Associação Brasileira de Estilistas. Nas costas leva dezenas de semanas de moda em Paris e São Paulo, além de uma mochila repleta de sonhos. Mora na Inglaterra, depois de ter cruzado o Atlântico por amor. É apaixonada por palavras, Clarice Lispector, Almodóvar e pela boa e velha propaganda brasileira. Escreve para a Casa do galo frequentemente, em dias incertos. 







Seja bem-vinda à Casa! Ótima estreia.
Eu sempre achei esse comercial ridículo. Não sabia da versão inglesa… haha
Depois que nos chamam de P U B L I C I O T Á R I O S tem gente que se ofende.
Seja bem vinda!
E esse comercial é mesmo sem noção, concordo com você totalmente. rs
Vou te acompanhar sempre aqui!
Mil beijos,
Lari
E eu sempre comentei, que mãe fala pro filhinho que diz que quer cagar “então vamos”, é “vai, ué…”
Realmente, shit é merda em todo lugar, agora está provado(rs). Muita coisa mudou na forma e no conteúdo da propaganda mundial nestes últimos 10 anos. Receio que teremos o “efeito cinema” onde os roteiristas (de Hollywood)fizeram greve e só saiu filme ruim nos anos 90. E isso dura até hoje.
Me preocupa um pouco quando vejo estudantes de PP babando em cima de um comercial vazio de idéias e cheio de efeitos. Ou campanhas de revistas cheia de trocadilhos engraçadinhos. Mas, como você lembrou, é o cliente quem aprova, então…
Longa vida e prosperidade aqui na Casa do Galo.
THE AORTA PROJECT – http://www.jamendo.com/br/artist/The_Aorta_Project
Mas, tem piores aqui no Brasil, viu… os do refrigereco Dolly, por exemplo… Nem precisa comentar, né?…rs
Milena, parabéns pela estreia! Excelente texto. ;D
Sou suspeita a dizer dos seus posts porque sou fã de carteirinha.
Beeijooo e ótima estréia aqui!!!
20 gramas de folhas de Melissa
1 litro de água
Fazer uma chá das folhas (de preferência não deixe a água ferver, retire do fogo quando estiver começando a formar as bolinhas, jogue nas folhas, tampe a jarra e deixe de 3 a 5 minutos antes de coar).
Tomar uma xícara várias vezes ao dia ou sempre que passar o já citado comercial de Pedrinho ou Paul e suas queridas mamães.
Bjos!
Mas quero dizer que discordo do seu texto. Ele é um dos maiores virais que conhecemos. Hoje por exemplo, estava no meu trabalho, quando levantei e disse (em voz alta, lógico):
“Com licença pessoal, eu vou na casa do Pedrinho…”
Como pode ver “Casa do Pedrinho” é sinônimo de banheiro. Igual chamar a sexta-feira de “Zeca Feira”. Brilhante!
Além da reunião de briefing, eu imagino como teria sido o brainstorm. Esse, por sinal, está em um dos meus “Brainstorms que eu queria ter participado”.
Hahaha, brincadeiras a parte, muito bom o texto. Eu dei boas risadas aqui. Tenho as mesmas opiniões.
Abraços e até!
Adorei o artigo, menina. Apareça sempre, em dias incertos o/
Brincadeiras a parte, sucesso e muitas e muitas crônicas e textos legais para a gente rir um poquinho, o Brazil precisa de criatividade!
Beijos!
Dany
Publicitários e estudantes de publicidade do meu Brasil, não se rendam à chatisse e intelectualismo para fazer suas peças! Publicidade é arte, não deve se prender a nada, só atingir seu objetivo
Aquele abraço.
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