A Publicidade tem ouvidos
É pôr o pé na rua e dar de cara com eles. Enquanto menino, adolescente, solteiro, com espinhas na cara e sexualidade às mãos, eu costumava contar, sentado nas confortantes poltronas do transporte público, quantas gostosas via no trajeto de casa ao meu lugar de destino. Hoje, já minino-homi, comprometido, sem espinhas (demais), meu passatempo predileto é contar quantos ouvidofones cruzam o meu caminho no ônibus e no metrô. Mas essa orgástica brincadeira não se limita a isso, para dificultar, organizei o primeiro campeonato de ouvidofones do mundo. O objetivo é saber qual cor será a vencedora ao final do percurso. Entre os competidores estão os tradicionais pretos, as sensações brancas com a fruta proibida pelo Tio Gates, os branco-falsos – que pegam o vácuo dos irmãos originais -, os prateados e os coloridos amarelos e azuis.
Mas esta é apenas a segunda divisão do campeonato. O Grupo de Acesso, diria algum carnavalesco. O bicho pega mesmo na primeira divisão, no Grupo Especial: o Ouvidão.
Ouvidofones-com-espuminha-protetora, ouvidofones-intraauriculares e ouvidofones modelo tiarinha-tapa-orelhas travam uma disputa emocionante entre as estações Tatuapé e Brigadeiro do metrô.
Os campeonatos, normalmente, nunca chegam ao fim, devido a alguns contra-tempos que a viagem apresenta, como ceder lugar aos velhinhos que adoram acordar cedo para passear de Trólebus ou re-colocar a clavícula no lugar após o arrastão na estação Brás. Mas o interessante mesmo é perceber como há, hoje em dia, tanta gente com fone de ouvido. Os MP3 Players se popularizaram, definitivamente. Eles estão por toda parte: no ônibus, no metrô, no escritório, no parque, no bairro rico, na favela, na praia, no morro, em qualquer lugar. “A sua música em qualquer lugar”. Do pop ao rock, de Bezerra da Silva à Björk. Do iPod ao falSony. Os MP3 Players se massificaram mais rapidamente que os celulares. Principalmente, porque os próprios celulares contribuíram para isso.
A questão agora é outra. Aos poucos, um novo competidor vai conquistando posições no Ouvidão: é o ouvidofone com bluetooth. Sim, ele existe e não me agrada nem um pouco como consumidor, mas abre mais um atalho para a Publicidade. Meu amigo Gustavo Helaehil deu uma prévia de como poderia ser isso, leia aqui.
Enquanto não vejo (nem ouço) nada a respeito, continuarei de olho nessa nova espécie humana. Quem sabe um dia não una o útil ao agradável e organize um campeonato de ouvidofones gostosas?
Viralzinho da semana: Maicow Naite
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Alessandro Ribeiro, 25, publicitário por formação e redator por profissão e falta de opção. Já passou por Submarino, Ideal Interactive e agora cola na Gruda em Mim (Que o Boi Não Te lambe). Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.
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Alessandro Ribeiro, 25, publicitário por formação e redator por profissão e falta de opção. Já passou por Submarino, Ideal Interactive e agora cola na 







Maravilha de artigo, Ale.
A publicidade nos celulares tá começando no Brasil. Alguns mp3 players têm bluetooth e alguns até mesmo wi-fi, então muito em breve esse vai ser um grande filão.
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Falando em bluetooth, tenho um relato interessante.
Fiz um sistema para uma loja de informática e telefonia no centro de são paulo, que enviava uma mensagem via bluetooth para o celular da pessoa que estivesse com o mesmo habilitado.
Imagina, spam de msg quando você chega perto de algum local.
[Responder]
Tem que ser de muito bom gosto, porque a invasão é absurda e totalmente sujeita a uma reação negativa
Alessandro Ribeiro – Último artigo em seu blog: Promessa de Halloween
[Responder]
Rs, mas no Brasil isso ainda não funciona direito, pois quem é que anda com o bluetooth ativado ? só quem quer gastar bateria né ?
mas o cara viu isso fora e quis colocar aqui, fazer o que. Só digo que é mais uma tendência de spam do que informação e bom gosto de verdade.
[Responder]
Caraleo Alê, eu brinquei de contar gostosas no trajeto do busão hoje mesmo. Foi impressionante a quantidade de gostosas. E nenhuma olhou pra mim!
Algumas lojas de shopping tem adesivos na porta sugerindo que vc ligue o bluetooth para receber conteúdo. No Sta. Cruz certa vez havia um display no meio da praça de alimentação divulgando o filme Duro de Matar 4.0 (que aliás não vi) e ligando o bluetooth perto deste display vc recebia o trailer do filme. Era bem rápida a transmissão. Achei muito válido. E era muito correto, perguntando se vc queria aceitar ou não a promoção.
Não sei como isso se aplicaria de uma forma correta no uso de fones sem fio. Cheira a grande invasão.
belo texto.
bjO!
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Prefiro as gostosas aos dentes azuis.
Além de me preocupar a questão do “spam”, gosto dos meus ouvidofones como estão. Com o indie rock diário e sem Bluetooth.
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A publicidade via bluetooth, hoje, talvez seja uma das mais honestas. Sempre perguntam antes de lhe enviar qualquer tipo de arquivo. Além disso, ela permite que você receba desde trailers até cupons promocionais para troca de brindes.
Já o Mobile Advertising, como conhecemos no mercado publicitário, é um pouco mais invasivo. Usuários da operadora Claro já tiveram o gostinho, na campanha do Fiat Punto (que eu escrevi algum tempo atrás por aqui). O interessante é que é um meio novo e que pode gerar boas oportunidades para os anunciantes.
Marquito – Último artigo em seu blog: Olha o buraco ai gente!
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Eae Marquito, beleza ?
Ah, mas me diz uma coisa galera, quem de vocês anda com o bluetooth ligado ?
eu mesmo não, senão gasta bateria mais rápido (rS)
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Eu ando, por ossos do ofício. Mas, normalmente, para camapanhas de bluetooth são utilizadas mídias de apoio (cartazes, totens, etc) pedindo para as pessoas ativarem.
Marquito – Último artigo em seu blog: Vale o registro
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É tô vendo que vamos todos começar a ficar com isso ativado por padrão logo logo. É algo bom a ser explorado, você aceitar se quiser, mas já pensou em um bombardeio chato em todo lugar que você estiver passando ?
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