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A publicidade que pegou Jesus pra Cristo

1 abril 2010 6 comentários escrito por marcos

jesus cristo publicitario A publicidade que pegou Jesus pra Cristo

Aí, meu Deus. Antes de pegar no terço para salvar a minha alma do fogo do inferno (ou rezar para que eu vá logo para lá) lembre-se que hoje vamos dar uma olhada nas diversas formas de como podemos publicar e propagar uma imagem duradoura, ok? E nada melhor do que o Feriado de Páscoa para usar o “Filho do Todo Poderoso” como exemplo.

O sujeito na foto acima não é um membro do Partido Trabalhista, nem alguém com tantos problemas financeiros a ponto de não ter grana para comprar um barbeador. Ele é uma imagem gerada por computador da minissérie Jesus – O Filho de Deus (Jesus: Son of God, Inglaterra, 2001), produzida pela rede inglesa BBC que garantiu uma boa discussão na época. Para entender porque você pode ter uma certa dificuldade para aceitar esse Cristo está em um termo de origem alemã chamado Kitsch.

Para resumir, o Kitsch pega algo original e de conteúdo único e o transforma em objeto de consumo por meio de infindáveis cópias que são vendidas a preço de banana (ou não). É a Monalisa no calendário e o Pinguim na geladeira. É o Cristo Redentor em cima da estante e a foto autografada do seu artista preferido. O Jesus que você conhece, na verdade não é conhecido. Agora, a imagem publicada e propagada do Cristo você está cansado de ver na Sessão da Tarde em todo feriado de Páscoa: cabelo hippie, olhos azuis e uma barba perfeitamente malfeita. Jesus é conteúdo. Cristo é forma.

Santa heresia, Batman! Não mesmo. Cristo é um dos melhores exemplos de Buzz Marketing para estudar o desenvolvimento de uma ideia/produto. Cristo já era viral em uma época onde as novidades chegavam somente a cavalo ou no lombo de jegue. E nem precisou do twitter para conquistar milhares de followers. Se o Papa é Pop, Cristo é Superstar. Cristo é Brahma, Coca-Cola e Balas Juquinha. Um produto sem origem definida (ninguém quer mais saber da fórmula da coke) com uma campanha enooorme de marketing por trás (a Bíblia é o maior broadside já criado para uma campanha). Nem o Olivetto faria melhor. Claro, afinal não dá pra competir com o “Criador”, né?

Se eu continuar, este artigo ficaria enorme e daria uma bela tese de mestrado, mas sejamos objetivos: a criação não é pautada por questões pragmáticas, uma linha de sentido, uma seqüência de atos. Uma imagem ou referência pode se transformar em qualquer coisa. Basta trabalhar a idéia em termos de reprodução como o kitsch faz e angariar seu valor por meio do marketing e dá mídia.

Quer um exemplo final? O recente sucesso do Porra, Mauricio! do publicitário Pablo Peixoto, que conseguiu transformar ofensa e palavrão (parece que porra deixou de ser palavrão faz tempo) em homenagem histórica aceita pelo próprio Mauricio de Sousa. Uma grande sacada do Peixoto que vai bem com mais de 5580 seguidores.

Portanto, ao ter que encarar o seu próximo briefing onde o produto é um Dolly (urgh!) da vida, siga as escrituras do kitsch e da semiótica e pergunte a si mesmo: “O que Cristo faria?”

Uma ótima Páscoa e até o próximo artigo.

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Marcos Marcos Oliveira, 40, é redator publicitário e casado com a Arte (porque amante já tem muito). Não acredita em corretor ortográfico e detesta acordar cedo para descobrir depois que a reunião de briefing foi cancelada. Seu blog de variedades possui apenas um seguidor: ele mesmo e suas duplas personalidades. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras.

marcosredator@hotmail.com | http://twitter.com/marcosredator


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6 comentários »

  • Diego Jock disse:
    Hahaha. Show!
  • uberVU - social comments disse:
    Social comments and analytics for this post…

    This post was mentioned on Twitter by casadogalo: A publicidade que pegou Jesus pra Cristo http://bit.ly/d6wQV7 – artigo do @marcosredator…

  • Tiago Moralles disse:
    Em alguns jobs seria pertinente pensar mesmo o que Cristo faria, e um milagre seria a resposta certa hehe.
    Bom artigo.
    My recent post Microconto #203
  • Caio Costa disse:
    Rapaz, ótima análise e um belo incentivo para os próximos jobs :)
  • @micastino disse:
    Perfeito! Nenhum produto foi tão eficaz ainda a ponto de não precisar de campanha por dois mil anos! Jesus foi o melhor marketeiro que já existiu. Principalmente se ele tiver sido apenas um ilusionista…
  • Brindes disse:
    Marcos, parabéns, vela análise.

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