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A louca realidade dos comerciais de margarina

27 janeiro 2009 9 comentários escrito por halina

margarina familia feliz thumb A louca realidade dos comerciais de margarina

É manhã. Começa um novo dia em suas vidas. Uma bela melodia toca ao fundo e ajuda o despertar. O sol adentra a sala pela janela, os passarinhos estão cantando e a família acorda linda e bela com seus cabelos devidamente penteados.

Correria pra arrumar as crianças pra escola? Desespero por não saber onde estão as chaves do carro? Nada! A família sempre vai calmamente tomar seu café da manhã, senta-se à uma mesa completamente fora da realidade (pelo menos fora da minha). Vários tipos de suco, croissants, bolos, pães diversos, torradas, leite, café, geléia e claro, a margarina.

Comerciais de margarina despertam em mim um certo ódio, por demonstrar uma coisa tão surreal, tão lúdica. E o pior é que não é o recurso do exagero, muito utilizado pelos criativos. É sim uma farsa, uma idéia mentirosa sendo vendida: “Com margarina X sua vida fica mais feliz”. Eu gostaria mesmo de ter uma vida mais feliz apenas decidindo por esta ou aquela outra marca. “Não consigo achar emprego. Já sei, só pode ser porque estou comendo a margarina errada!”.

Bem, o pai loiro, a mãe loira e seus filhos loiros estão tomando um café da manhã com tanta satisfação que quem vê pensa mesmo que tudo isso é por causa daquela margarina maravilhosa. E olha que funciona, senão não seria uma receitinha tão batida. Pra completar estes comerciais, normalmente há um cachorro, da raça Golden Retriever (também loiro!) que garante a imagem da família perfeita, loira e definitivamente feliz, graças à escolha da marca Tal.

Gostaria de fazer um apelo de publicitária para publicitários: por favor, pensem em anúncios criativos para marcas de margarinas!

OBS: As pessoas morenas também são felizes.

As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.

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Halina A louca realidade dos comerciais de margarina Halina Medina, 24, é estagiária de uma multinacional, adora o que faz, mas sonha ser redatora. Apaixonada por publicidade, cães, cinema, ler, escrever, ler e escrever. Gosta de ter a cabeça nas nuvens e os pés no chão. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras.

halinamedina@gmail.com | http://simplessomadaspartes.blogspot.com


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9 comentários »

  • André Rafanhin disse:

    Eu gostei dos pais mandando o moleque tatuar “arrumar o quarto” no braço, para não esquecer das tarefas diárias auehuheuaea

    mas sim, essa receita de familia feliz sempre existiu, nunca muda.

    bom mesmo é o velho Pão Cu Manteiga auehaehu
    http://br.youtube.com/watch?v=5zxuphQxNkQ

  • VitDantas disse:

    APOIADO! Campanha: “Por uma vida mais real mas campanhas de margarina”

  • Raff Ribeiro disse:

    é verdade essa “receitinha de bolo” ta manjada…

  • Marco Aurélio Cidade disse:

    Realmente, só rindo mesmo. Sabe um outro bom exemplo? As cartilhas escolares. Agora que aprendi a escrever, já não sei mais se continuam assim, mas eram quase que um comercial de margarina (agora com essa coisa de patrocinador pra tudo…vai saber). Pai branco, mãe branca, filhinho e filhinha limpinhos, cheirosinhos, arrumadinhos indo para a escola. Papai saía de terno, pasta executiva e ia para o seu ótimo emprego num belo carro. Mamãe ficava em casa (porque segundo os escritores das cartilhas da época, lugar de mulher era em casa) feliz da vida lavando, passando, arrumando, escutando programas de rádio (tipo de auditório; aqueles que só falam bobagens) porque era burra, etc., etc., etc.
    Essa mesma cartilha ia para tudo quanto é escola pública que era frequentada por alunos de uma realidade social totalmente diferente da que era apresentada nas cartilhas. Havia uma mistura de classes sociais até, e bem saudável (já que estudei em escolas públicas e tive bons amigos nessa época, posso dizer isso),mas a quantidade de alunos carentes era muito maior. A realidade dessas pessoas era outra. Era uma realidade de comercial de margarina, por assim dizer.

    Ótimo texto.

    Um abraço ao autor e à equipe da CASA DO GALO.

  • Galo disse:

    Famílias perfeitas, num mundo perfeito.

  • thiago disse:

    sensacional…

  • André Rafanhin disse:

    É o efeito “Malhação”, que eu costumo chamar de “Malhabolha” porque o negócio ta no ar há DOIS MIL ANOS e são sempre as mesmas coisas no mesmo mundinho perfeito deles…

  • Adriana disse:

    Eu concordo que falta um pouco de criatividade nas propagandas de margarina, mas ainda bem que elas existem, pq de coisas ruins já basta a nossa realidade,o que que tem de mais um pouco de fantasia nas nossas vidas, ninguém mais tem tempo para o café da manhã com a família, de brincar com o cachorro, todos vivemos nessa realidade louca e transtornada, só sabemos conversar sobre crises, tragédias, guerras, eu sou a favor dos comerciais de margarina, já me cansei dos noticiários que só falam de tragédias, quero continuar pensando que a felicidade, ainda que possa parecer irreal, pode ser verdadeira na minha imaginação…

  • Marcelo Chabes disse:

    Dá raiva mesmo…mundinho perfeito, coisinhas perfeitas. Isso é coisa de gente enferrujada no mundo da propaganda, akela mesma idéia de: Pra que mexer no time que tá ganhando?( = formato antigo e que é utilizado por todas as marcas)….

    Acho que o problema é mais fundo ainda, não é só das agencias que produzem sempre a mesma coisa, mas também das empresas que posicionam o produto da mesma forma. Nos resta uma pergunta: Se não fosse desse jeito, oque deveriam fazer? Oque mais dá pra se tirar da imagem de uma margarina que chamaria a atenção dos consumidores?? E faria a diferença…

    Mto bom esse post…
    Abs!

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