A linha e a caixa
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A distância entre as palavras e seus significados na publicidade é uma coisa que me intriga até hoje. Nos meus primeiros anos de faculdade lembro de ter sido bombardeado por expressões utilizadas no cotidiano publicitário, uma boa parcela oriunda do inglês, e que eram incontestáveis.
Quando se perguntava a algum professor porque que uma expressão levava certo nome, muitas vezes recebia um: “é assim por que é assim” como resposta. Vale acreditar que muitas vezes tal argumento era fruto da falta de conhecimento do professor sobre o assunto e não preguiça ou indisposição em descobrir o significado real.
Tarefa que descobri, por esforço próprio, ser nada fácil. Certa vez lembro que um leitor da Casa questionou uma expressão corriqueira do mundo publicitário e souberam responder. Digo, souberam dizer o significado. A origem do termo, não.
Sem lembrar do título ou autor(a) do post, ao menos recordo que a expressão era Below The Line, o famoso BTL. Pô, qual foi a mente brilhante que inventou isso?
Porque Below the line?
Pelo que sei, below significa “abaixo”, “sob”. Segundo o Michaelis, significa “inferior”, “de cargo subordinado”. O Collins Gem classifica até como “menos que”.
E que line é essa? Quem traçou? Porque traçou?
Isso sem contar que não basta ter Below e Above the line. Tem que ter o Through the line. Afinal, seria discriminação dividir o below do above sem que ninguém pudesse aproveitar os dois lados.
Traduzindo ao pé da letra, poderíamos concluir que quem trabalha com marketing promocional exerce uma atividade inferior? Ou está abaixo da tão temida linha?
Ai. Tem coisa que é melhor não tentar trazer para o nosso idioma. Se o próprio “marketing” não foi traduzido, é melhor aceitar o tal “below” e seguir em frente.
Talvez assim, deixando de questionar certas coisas, encontremos as respostas e soluções que foram prometidas anos atrás aos que pensassem fora da caixa. “Out of the box”. Que caixa é essa eu não sei. Mas quero ficar longe dela, e dessa tal linha.
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Rafael Amaral, 21, é planner na Super Produções e blogueiro do Estagiaridade. Escreve para a Casa do galo às terças-feiras.
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“Et quae tanta fuit Romam tibi causa videnti?”
“Libertas, quae sera tamen, respexit inertem,
(Candidior postquam tondenti barba cadebat,
Respexit tamen et longo post tempore venit,
Postquam nos Amaryllis habet, Galatea reliquit.)
– Virgilio
Sempre imaginei que esta linha tinha ligação com a linha da percepção consciente. Ou seja, “Below the Line” seria “Subliminar”, embora “Above the Line” não seja “Superliminar” – Below the Line, portanto, foca-se em comunicar algo através da percepção subconsciente, sem que o consumidor note que é uma comunicação ativa publicitária.
A “caixa” eu faço ligação com a “Caverna de Platão”.
Boa Henrique.
E como seria o “aportuguesamento” de “branding”?
Acho que não dá pra ter um aportuguesamento bom disso… O máximo seria “marcação”, o ato de implantar uma marca comercial…
Mas marcação não pode porque já possui uma conotação de marca física, não comercial.
Branding está mais para “Fortalecimento de Marca” mesmo…
Branding acaba caindo na mesma situação de Marketing: sem nenhuma chance de tradução coerente (igual hamburguer… hehe).
Falou!
Branding é inovação, revigoração, sustentação, frescor, estabilidade e atualidade.
Obrigação de quem é contratado de uma empresa como Bradesco ou Brahma.
Manter a marca “Fresca e Vigorosa”.
Branding é inovação, revigoração, sustentação, frescor, estabilidade e atualidade.
Obrigação de quem é contratado de uma empresa como Bradesco ou Brahma.
Manter a marca “Fresca e Vigorosa”…
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