A gente não se conhece de algum lugar?
“João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J.Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.”
Peço licença a você, leitor da Casa do Galo, para não falar de comunicação on-line ou de internet, de um modo geral, desta vez. Peço, também, licença ao tal Carlos Drummond de Andrade, responsável pelo texto acima. Esse texto (ou poesia, mas não deixa de ser texto) se chama “Quadrilha” e tem muito a ver com o artigo de hoje.
É impressionante como o mercado publicitário é um ânus de quem teme, de tão pequeno. Quando digo “mercado publicitário” não faço referência somente às agências, não. Anunciantes e veículos também fazem parte dessa “quadrilha”.
- Cara, você trabalhava onde antes daqui?
- Na GM9.
- Ah, você não conheceu o Torquatto?
- Conheci, sim. Mas logo depois que eu entrei ele saiu. Foi pra Almappin. Quem deve conhecê-lo também é o Ademir, do Atendimento, que trabalhou lá.
***
- Ô, Ademir, chega aí. Você conhece o Torquatto, da Almappin.
- Conheço, cara. Gente boa. Você conhece ele da onde?
- Trabalhei com ele na MarcCão Emerson.
- Ah, você trabalhou lá? Na mesma época da Gildete?
- Gildete? Mídia? Claro, pô. Aliás, ela era uma delícia haha. Mas agora ela foi trabalhar na Drama.
- Verdade, música sempre foi a cara dela.
***
O mercado – marketeiro e publicitário – se conhece, e muito bem. E tudo que gira ao seu redor, também: veículos, produtoras, agências de modelos, consultorias de marketing, assessoria de imprensa, a loja de doces da esquina, o mercadinho do seu Manel etc. Se você der um peido numa reunião de brainstorm da Lew,Lara, o Diretor de Criação da JWT fica sabendo em pouco tempo. E, nesse caso, é melhor que você tenha comido flores, meu amigo, porque dependendo do odor, esse Diretor vai querer te contratar ou te queimar de vez no mercado.
Portanto, se você entrou nesse mercado de J. Pinto Fernandes sem braço, gostou e quer continuar, é melhor começar a amar alguém. E que esse alguém não seja uma Lili, que não ama ninguém.
Em outras palavras, tenha como objetivo primário apenas fazer um bom trabalho. O resto – contatos, elogios, críticas, – é conseqüência disso. O mercado é, ao mesmo tempo, enorme e minúsculo. Tudo vai depender do trabalho que você fizer. A partir dele, você pode ser amado por muitas Teresas e Joaquins ou, simplesmente, morrer de desastre como um Raimundo.
PS1: que Carlos Drummond me desculpe por usar sua poesia para um assunto que talvez nem tenha tanta importância assim. Ah, Drummond, o “tal” foi irônico.
PS2: usei nomes inventados de agências e nomes de funcionários de repartição para preservar as identidades de ambos. Aos Torquattos, Ademires e Gildetes que lêem este blog: vocês têm nomes de funcionários de repartição. Não que isso seja ruim.
PS3: este último é para as mulheres. Desculpem pelo exemplo do peido.
As idéias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.
Se você gostou deste artigo, assine o RSS feed da Casa do galo. Você também pode receber os artigos por e-mail.
Alessandro Ribeiro, 25, publicitário por formação e redator por profissão e falta de opção. Já passou por Submarino, Ideal Interactive e agora cola na Gruda em Mim (Que o Boi Não Te lambe). Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.
aleribeiro13@gmail.com | http://www.obolacheiro.blogspot.com
Últimos artigos escritos por Alessandro Ribeiro
- O Texto Colaborativo da Casa do Galo
- Os próximos 10 anos na Publicidade e na Web
- Amigo, hoje a minha inspiração se ligou em você
- Digo-te com quem andas e te direi quem és
- Propaganda de cervejas: restringir resolve mesmo?
- Dança das Cadeiras
Artigos relacionados
- The Economist - O segredo para se ganhar dinheiro
- A Publicidade tem ouvidos
- Concorrência na veia
- Ser publicitário. E de AGÊNCIA GRANDE
- Doismile8
Alessandro Ribeiro já escreveu 39
artigo(s) para a Casa do galo.
Leia as colunas anteriores do(a) Alessandro Ribeiro.
Este artigo tem as seguintes tags:









É está tudo interligado…
entre os melhores? entre os piores?
Muito bom o post, Alessandro!
Realmente o “mercado publicitário é um ânus de quem teme”.
Isso tem seu lado bom, quanto ruim.
Acho que o maior diferencial é a competência.
Olha, pra ser sincero, acho uma grande baboseira tudo isso. E dai que o diretor da WYU conhece o mÃdia da AnusFucker? Se você for bom mesmo, pode ser o cara mais crica do mundo, que ele vai te contratar. Você pode sofrer o diabo, mas se fizer um trabalho de qualidade, vai calar todas essas bocas. Ter um bom relacionamento é imortante. Chupar o pau dos outros só te faz perder credibilidade e orgulho próprio - que, em pequenas doses, faz muito bem.
p.s.
Mas as mulheres também peidam. Qual a crise?
do caraleo esse texto. parabéns.
Putz… eu não acho que seja baboseira. Já vi muita gente extremamente competente, comprometida, inteligente e legal ser sacaneada por uns e outros e perder excelentes oportunidades. E já vi profissional meia-boca se dar bem por causa do QI - quem indicou.
Mas numa coisa eu concordo com o Marquito: mulher peida - e peida fedido pra caramba!
Rafael, obrigado e também acho que o diferencial deva ser a competência. Vou passar pelo seu blog, parece ser muito bom.
Marquito, as mulheres peidam, sim. Mas não me faz bem pensar isso hehe.
ValeO, Sama!
Abs
Deixe seu comentário!
Receba os artigos por e-mail
Publicitário por profissão. Atendimento e Planejamento por escolha. É assim que me defino. E as pessoas me perguntam: Porque essa escolha?
Então, eu digo: ser Atendimento, Criação, Planejamento, MÃdia, Produção, RTVC ou qualquer um desses cargos, é ser publicitário. E ser publicitário é ser publicitário.
Muito definem que publicitários são loucos, e é verdade: somos loucos, mas [...]
No meu ultimo artigo, comentei sobre a crise financeira dos EUA e seus reflexos no mercado publicitário. Resolvi continuar no assunto pois a recessão tomou proporções bem maiores durante os últimos quinze dias.
Na Europa, os paÃses da união européia já se comprometeram a ajudar os grandes grupos financeiros, em uma tentativa de amenizar os efeitos [...]
Ainda na vibe das eleições… Aliás, que vibe? Pensando sobre a monotonia, isso sim…
Na teoria, a nova lei eleitoral e suas restrições deveriam diminuir o poder persuasivo da grana. Não se trata, neste caso especÃfico, de impedir a compra de votos. Isso sempre foi proibido, sempre existiu e sempre vai existir. A tentativa é de [...]
Compre livros
Artigos recentes
Mais comentados
Mais lidos