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A gente não se conhece de algum lugar?

28 Maio 2007 6 comentáriosescrito por Alessandro Ribeiro

“João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

que não amava ninguém.

João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,

Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,

Joaquim suicidou-se e Lili casou com J.Pinto Fernandes

que não tinha entrado na história.”

Peço licença a você, leitor da Casa do Galo, para não falar de comunicação on-line ou de internet, de um modo geral, desta vez. Peço, também, licença ao tal Carlos Drummond de Andrade, responsável pelo texto acima. Esse texto (ou poesia, mas não deixa de ser texto) se chama “Quadrilha” e tem muito a ver com o artigo de hoje.

É impressionante como o mercado publicitário é um ânus de quem teme, de tão pequeno. Quando digo “mercado publicitário” não faço referência somente às agências, não. Anunciantes e veículos também fazem parte dessa “quadrilha”.

- Cara, você trabalhava onde antes daqui?

- Na GM9.

- Ah, você não conheceu o Torquatto?

- Conheci, sim. Mas logo depois que eu entrei ele saiu. Foi pra Almappin. Quem deve conhecê-lo também é o Ademir, do Atendimento, que trabalhou lá. 

*** 

- Ô, Ademir, chega aí. Você conhece o Torquatto, da Almappin.

- Conheço, cara. Gente boa. Você conhece ele da onde?

- Trabalhei com ele na MarcCão Emerson.

- Ah, você trabalhou lá? Na mesma época da Gildete?

- Gildete? Mídia? Claro, pô. Aliás, ela era uma delícia haha. Mas agora ela foi trabalhar na Drama.

- Verdade, música sempre foi a cara dela.

*** 

O mercado – marketeiro e publicitário – se conhece, e muito bem. E tudo que gira ao seu redor, também: veículos, produtoras, agências de modelos, consultorias de marketing, assessoria de imprensa, a loja de doces da esquina, o mercadinho do seu Manel etc. Se você der um peido numa reunião de brainstorm da Lew,Lara, o Diretor de Criação da JWT fica sabendo em pouco tempo. E, nesse caso, é melhor que você tenha comido flores, meu amigo, porque dependendo do odor, esse Diretor vai querer te contratar ou te queimar de vez no mercado.

Portanto, se você entrou nesse mercado de J. Pinto Fernandes sem braço, gostou e quer continuar, é melhor começar a amar alguém. E que esse alguém não seja uma Lili, que não ama ninguém.

Em outras palavras, tenha como objetivo primário apenas fazer um bom trabalho. O resto – contatos, elogios, críticas, – é conseqüência disso. O mercado é, ao mesmo tempo, enorme e minúsculo. Tudo vai depender do trabalho que você fizer. A partir dele, você pode ser amado por muitas Teresas e Joaquins ou, simplesmente, morrer de desastre como um Raimundo.

PS1: que Carlos Drummond me desculpe por usar sua poesia para um assunto que talvez nem tenha tanta importância assim. Ah, Drummond, o “tal” foi irônico.

PS2: usei nomes inventados de agências e nomes de funcionários de repartição para preservar as identidades de ambos. Aos Torquattos, Ademires e Gildetes que lêem este blog: vocês têm nomes de funcionários de repartição. Não que isso seja ruim.

PS3: este último é para as mulheres. Desculpem pelo exemplo do peido.

 

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Alessandro Alessandro Ribeiro, 25, publicitário por formação e redator por profissão e falta de opção. Já passou por Submarino, Ideal Interactive e agora cola na Gruda em Mim (Que o Boi Não Te lambe). Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.

aleribeiro13@gmail.com | http://www.obolacheiro.blogspot.com


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6 comentários »

  • Thiago Machado disse:

    É está tudo interligado…

    entre os melhores? entre os piores?

  • Rafael Amaral disse:

    Muito bom o post, Alessandro!
    Realmente o “mercado publicitário é um ânus de quem teme”.
    Isso tem seu lado bom, quanto ruim.
    Acho que o maior diferencial é a competência.

  • Marquito disse:

    Olha, pra ser sincero, acho uma grande baboseira tudo isso. E dai que o diretor da WYU conhece o mídia da AnusFucker? Se você for bom mesmo, pode ser o cara mais crica do mundo, que ele vai te contratar. Você pode sofrer o diabo, mas se fizer um trabalho de qualidade, vai calar todas essas bocas. Ter um bom relacionamento é imortante. Chupar o pau dos outros só te faz perder credibilidade e orgulho próprio - que, em pequenas doses, faz muito bem.

    p.s.

    Mas as mulheres também peidam. Qual a crise?

  • sama disse:

    do caraleo esse texto. parabéns.

  • Lily disse:

    Putz… eu não acho que seja baboseira. Já vi muita gente extremamente competente, comprometida, inteligente e legal ser sacaneada por uns e outros e perder excelentes oportunidades. E já vi profissional meia-boca se dar bem por causa do QI - quem indicou.

    Mas numa coisa eu concordo com o Marquito: mulher peida - e peida fedido pra caramba!

  • Alessandro Ribeiro (author) disse:

    Rafael, obrigado e também acho que o diferencial deva ser a competência. Vou passar pelo seu blog, parece ser muito bom.

    Marquito, as mulheres peidam, sim. Mas não me faz bem pensar isso hehe.

    ValeO, Sama!

    Abs

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