A Era da Informação – Que eu me organizando posso desorganizar
16h42. Domingo. Na mesa, a Folha de São Paulo de sábado e de domingo, o Suplemento Literário de Minas Gerais, uma Revista Bravo, uma revista Piauí, as obras completas de João Cabral de Mello Neto e uma infinidade de janelas abertas no Firefox se acotovelam tentando chamar minha atenção. Mire e veja, informação demais para uma tarde bucólica de domingo.
A sensação da qual venho sendo acometida é de que mesmo que eu passe o resto de minha vida lendo os livros que preciso ler, ou que me escolhem, ainda assim, jamais terei lido o suficiente. Mas o que por ventura, seria o suficiente?
Creio que no bojo da globalização, veio também o enfado e a crise da informação. A propósito o que seria mesmo in-for-ma-ção? Segundo o dicionário:
informação | s. f.
derivação fem. sing. de informar
informação
do Lat. informationes. f., acto ou efeito de informar ou informar-se; comunicação; indagação, devassa; conjunto de conhecimentos sobre alguém ou alguma coisa; conhecimentos obtidos por alguém; facto ou acontecimento que é levado ao conhecimento de alguém ou de um público através de palavras, sons ou imagens; elemento de conhecimento susceptível de ser transmitido e conservado graças a um suporte e um código.
O fato é que esse excesso tem gerado a desinformação. O que me parece, é que vivemos a ditadura da informação: Você leu o jornal ontem? Nossa, viu o assassinato da menina no jornal nacional? Viu o Batman, o Homem de ferro, o Hulk? Viu a mula-sem-cabeça na capa da revista tal? Viu a campanha do novo Gol? Ai de você se disser “não, não vi”. Certamente te crucificarão e colocarão sua cabeça numa praça pública como um exemplo a não ser seguido.
A superficialidade de toda essa informação surge como algo que por vezes não serve como construção ou mesmo como aprendizado, mas como um modo de ser detentor de algo que sempre faltará ao outro. Na verdade, a prática universal que acomete o homem desde tempos idos: a coleção. Porque no fim das contas, o que temos feito menos é nos comunicar. Compramos ipods, iphones, colocamos neles todas as nossas informações e nos metemos dentro deles. Vivemos o tempo da tecnologia ao seu alcançe e da comunicação zero. Pois, ela, a tecnologia, nunca necessariamente teve que ver com comunicação. O que fazemos agora é colecionar informações, juntá-las e agrupá-las dentro de nossas máquinas..
23h49. A mesma coleção de informações que certamente só será diluida durante a semana ou no decorrer do mês, continua intacta, quando então já serão 11 folhas de São Paulo, 2 Piauí, 2 Bravo e mais um zilhão de novas janelas no Browser…
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Lenise Regina, 30, está redatora publicitária até o próximo anúncio, quando então seu chefe descobrirá que "Lenise" é um pseudônimo e que "Regina" é apenas um desejo antigo de nobreza; sendo assim, ele não hesitará em lhe dar um pé na bunda e revelar-lhe-á que a monarquia no Brasil foi extinta desde 1889. Escreve para a Casa do Galo quinzenalmente às segundas-feiras.
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Lenise Regina, 30, está redatora publicitária até o próximo anúncio, quando então seu chefe descobrirá que "Lenise" é um pseudônimo e que "Regina" é apenas um desejo antigo de nobreza; sendo assim, ele não hesitará em lhe dar um pé na bunda e revelar-lhe-á que a monarquia no Brasil foi extinta desde 1889. Escreve para a Casa do Galo quinzenalmente às segundas-feiras. 







O pior é que eu preciso de muita informação, preciso ler e-mails a todo momento, meu google reader, etc.
Uma vez li em algum lugar que essa “necessidade” é uma doença.
Preciso de um médico, urgente.
[Responder]
A faculdade tá acabando e a sensação que dá é de que mesmo com TCC, livros, revistas, palestras e sites diários, não deu pra assimilar tudo o que deveria.
Preciso de um médico, urgente(2).
Uma vez eu também li em algum lugar que o importante é selecionar algumas fontes de informação relevantes, e não tentar ler/ver desesperadamente tudo o que aparece por ai.
[Responder]
Não acredito que alguém vá discordar do que você disse, Lenise. O mais interessante, no meu caso, foi encontrar no seu texto umas 3 ou 4 frases que estão redigidas e traduzem exatamente pensamentos que escrevi para montar meu pré-projeto de mestrado.
“A propósito o que seria mesmo in-for-ma-ção?”
“O fato é que esse excesso tem gerado a desinformação”
“A superficialidade de toda essa informação surge como algo que por vezes não serve como construção ou mesmo como aprendizado”
e por aí vai…
Então, minha contribuição é: concordo com toda a informação do seu texto e fico feliz em saber que estou caminhando para o estudo de algo concreto e verdadeiro.
Até mais.
[Responder]
Acho que devemos montar um grupo de auto-ajuda, nos moldes dos AAAs.
- Oi, meu nome é Diego. Eu assinava 520 feeds em meu leitor. Na semana passada deletei 12.
- (palmas) Muuuito booooom, Diego.
[Responder]
Já internalizei o drama, “livros de mais, tempo de menos”. Meu esquema agora é “peneirar bem” as referências, “passar o olho” no que for possível e absorver o que for relevante e procurar a fundo o que me interessa (com alguns momentos de leitura descompromissada das coisas do mundo, só pra relaxar). Sei que é pouco, assim como sinto que não adianta ser escravo da informação se o conhecimento não produz nada, se não há tempo pra prática. Pode ser só um passo, mas, basta “um passo à frente, e você não está mais no mesmo lugar”.
[Responder]
[...] muita informação, como a Lenise clamou. Excesso de informação, escassez de profundidade. Pronto, não há como escapar da [...]
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