A criação de longa vida e prosperidade
Jeffrey Jacob Abrams, o J.J. Abrams é um sujeito de 40 e poucos anos cujo trabalho você deve conhecer se já assistiu as séries Felicity, Lost, Alias e o mais recente Fringe. É também produtor e diretor da nova versão de Jornada nas Estrelas e o motivo deste artigo (que não é sobre cinema).
Vou deixar de lado o fato de ser um fã de Star Trek (sem o lado nerd) para colocar em destaque o exemplo que J. J. pode oferecer para publicidade e a criação em geral, ok?
Em Jornada nas Estrelas, J. J. pegou um produto mundialmente conhecido por quase meio século e revitalizou a marca para futuras gerações. Ele conseguiu não só agregar valor ao conceito como também conquistou novos nichos de mercado ao captar um target (público-alvo) mais jovem, ao mesmo tempo em que manteve a fidelidade do consumidor tradicional da série.
E ao colocar o Garoto-Bombril-Vulcano (mais conhecido como Spock) que tem a idade atual de muitos fãs da série na trama, o safado fechou tudo com chave de ouro. Resultado? Cliente (estúdio) e consumidor final (trekers e afins) felizes da vida.
Óbvio que marquei meu argumento com palavras que são um clichê básico para qualquer um que já tenha participado de uma reunião de briefing com o cliente. Chega a ser cansativo ouvir tanto o que deve ser feito com a marca/produto quando o que interessa mesmo é o como.
Um erro básico na publicidade atual é a ansiedade criativa. Podem tacar pedra, mas é verdade. Todos as áreas estão contaminadas pelo excesso de mídia e a carência criativa para preencher todos os espaços. Justificativas não faltam: deadlines estressantes, falta de verba, salários discordantes e a crise, a famosa crise. Como resultado, temos estudantes entrando e saindo de faculdades de PP sem saber direito do que se trata, afinal de contas, esta profissão. E com o ônus de ter que se provar a cada texto, atendimento ou campanha que fazem. Que Admirável Mundo Novo, hein?
J. J. sabe do que se trata esta profissão e a dele. Ele soube ler o briefing escrito durante 40 anos, soube escutar o cliente chato (fãs são sempre chatos), soube inovar ao acrescentar novos elementos (como o romance de Uhura e Spock, por exemplo) e soube principalmente escolher sua equipe (os roteiristas Roberto Orci e Alex Kurtzman mais a galera de efeitos, etc). E só para não parecer lúdico demais, isso dá dinheiro também.
Na minha opinião, a criação de longa vida e prosperidade tem início no coração como já escrevi antes. Depois vem a referência, tudo que permanece incorporado em você e que pode se tranformar em um ato criativo (o veículo/mídia você escolhe). E por aí vai. Eu começaria lendo o saudoso artigo do Mauro Sérgio, o novo filme do Olivetto para Wizard e depois alugaria Jornada nas Estrelas. Mas, a seu favor, não fique só no filme: assista os extras, o processo de planejamento, a discussão sobre o roteiro, ou seja, o briefing do produto e seu resultado, ok?
É isso aí. Para finalizar, convido todos para assistir a origem da saudação vulcana feita por Spock, um outro exemplo de referência e criatividade. Longa vida e prosperidade para todos os seus atos criativos. Scott, um subindo! Fui!
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Marcos Oliveira, 40, é redator publicitário e casado com a Arte (porque amante já tem muito). Não acredita em corretor ortográfico e detesta acordar cedo para descobrir depois que a reunião de briefing foi cancelada. Seu blog de variedades possui apenas um seguidor: ele mesmo e suas duplas personalidades. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras.
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