A b… escancarada da p… e da p… para alcançar a m…
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O ótimo artigo da Milena Castino e toda essa “polêmica” sobre a DM9DDB obrigaram-me a pular outros escritos e entrar na zona de conflito.
O título acima é uma referência aos cartazes da Boca do Lixo (que ficava na Rua do Triunfo, esquina com Rua Vitória em São Paulo) onde, na década de 70, filmes de baixo orçamento (B) e conteúdo semi-pornográfico eram produzidos. Sem os pontinhos, ficaria assim: “A busca escancarada da publicidade e da propaganda para alcançar a maturidade“.
Sou de 69 (o ano, não a posição) e só pude entrar em contato com a criatividade e a ousadia da Boca do Lixo muitos anos depois. Demorou ainda mais para que eu, como redator, pudesse identificar qual era o verdadeiro assunto por trás de toda a “sacanagem” veiculada em salas de cinema sujas e cartazes com tarjas pretas nas partes “pudentas”: liberdade de expressão.
A questão não é mais sobre se a DM9DDB deve ser penalizada, deixar de ganhar prêmios, etc. Proponho esquecer por um momento todo este circo para focar no que isso representa para nós criativos (sim, você é) em termos de censura pessoal e social.
Este incidente revelou que se não tomarmos cuidado, colocaremos “tarjas pretas” em cada pensamento, em cada desenvolvimento da idéia, em cada conceito pré-formado, transformando-os em preconceito. Nosso textos ficarão cheios de “pontinhos”, de aspas (adoro, aspas, rs) e de recalques que matam o parkour criativo. Não estou defendendo a campanha equivocada da agência. Mas defendo sim, o fato de colocarem a culpa em “uma equipe da DDB Brasil que já não faz mais parte da agência”. E que foi chamada de inexperiente, estagiante, etc.
Posso imaginar o “novo Tsunami” que agora vai arrastar para o fundo da mesmice as idéias em formação de estagiários, estudantes e redatores jr. pelas agências no Brasil e lá fora. Posso imaginar diretores de arte nervosos e gerentes de atendimento torcendo o nariz para um humor um pouco mais “negro” (ou deveria escrever afro-brasileiro?). Posso imaginar clientes mais duros e moralistas também. E dá-lhe tarja preta, desta vem na forma de remédios, prá não ficar estressado com tanta hipocrisia.
Diz o ditado popular que o “proibido é mais gostoso”. Porém pode fazer perder o emprego. Fazemos parte de uma máquina comercial onde a publicidade tem importante papel no desenvolvimento social e economico, blá, blá, blá. Mas é preciso lembrar que a publicidade é um reflexo do meio onde foi criada e que para crescer criativamente é preciso trilhar caminhos pelos quais ninguém passou.
Ou podemos continuar pequenos, sendo amamentados por essa p…(desta vez, você completa os pontinhos) que deseja ser criativa e ao mesmo tempo politicamente correta, cuidar do planeta, não criticar ninguém e viver de renda. Quem foi que prometeu o paraíso/nirvana prá essa gente? Se o lance é só grana mesmo e se essa for a sua praia, assuma e tudo bem.
Calma, sem revolução, mantenha seu emprego. Eu também não tenho a resposta para alcançar a maturidade na publicidade como estou propondo. Ainda estou buscando junto com vocês. Sugiro apenas um certo cuidado: continue sendo audacioso, continue sendo provocador. Construa sua Capela Sistina, seu widget revolucionário, seu texto inspirador mesmo que seja para ficar na gaveta aguardando o momento certo. Acredite, ele vai aparecer (mas, talvez, não onde você está trabalhando agora).
Vivemos em uma época estranha, cheia de bom-mocismo e atitudes “sustentáveis” que podem, na verdade, estar sustentando a falta de criatividade e de expressão em prol de uma vida sem emoção, toda planejada e certinha. Como nada é por acaso, foi muito bom este fato ter acontecido. Acho um saco a agência ter a palavra “grife” antes do nome como tem acontecido nos últimos tempos. Hora de humanizar. E perceber que tá tudo meio sem sal, que precisamos de gente que erra mesmo mas também acerta. Gente como a gente. E parar de achar que agência de “grife” é o Olimpo.
Não sei vocês, mas eu não gosto de tofu. Eu gosto mesmo é de feijoada. Gosto é gosto.
Abs.
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Marcos Oliveira, 40, é redator publicitário e casado com a Arte (porque amante já tem muito). Não acredita em corretor ortográfico e detesta acordar cedo para descobrir depois que a reunião de briefing foi cancelada. Seu blog de variedades possui apenas um seguidor: ele mesmo e suas duplas personalidades. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras.
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Marcos Oliveira, 40, é redator publicitário e casado com a Arte (porque amante já tem muito). Não acredita em corretor ortográfico e detesta acordar cedo para descobrir depois que a reunião de briefing foi cancelada. Seu blog de variedades possui apenas um seguidor: ele mesmo e suas duplas personalidades. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras. 







Marcos, muito pertinente o teu texto.
Ser ousado é uma característica fundamental para quem quer trabalhar com publicidade, já ta todo mundo careca de saber que ser publicitário não é nem um pouco fácil, hoje em dia, não basta ter ideias ‘previsíveis’, você tem que pensar como ninguém jamais pensou e OUSAR, isso é imprescindível.
Eu ainda sou estudante de publicidade, mas, já deu pra perceber que a censura é algo cada vez mais presente no meio….e isso assusta tanto quanto um Tsunami =/
PS: a culpa é SEMPRE do estagiário..ehehe
Puta artigo, Marcos!
Acho que o Leo Luz e o Tiago Moralles, entre muitos outros, concordam com você.
Ótimo ponto de vista, Marcos, adorei o artigo!
Acho que criativo tem que ser criativo mesmo, sem bloqueios, sem censura. Cabe a toda uma equipe e ao cliente definirem se tal campanha é viável ou não, mas o criativo tem que fazer seu trabalho sem pensar se será aprovado ou se ganhará prêmios. Sou a favor de um brainstorm constante. Se não ficamos “comportados” demais.
Criativos, não tenham medo de criar por causa dessa palhaçada toda com a DM9!! Lembrem-se do artigo do André Rafanhin http://casadogalo.com/a-involucao-natural-da-especie/ que fala exatamente sobre como somos bloqueados por situações como estas!
Sergio Valente,
Criei um site especialmente para você mandar seus fantasmas. Tamos desenvolvendo o prêmio, o Ghost Lions. Todo de véu branco. Aperta, faz buuuuhhhhhhhhh!!!
É amiguinhos, esse viés dá discussão pra uns 40 artigos ou mais.
Pelo que li ontem, não teve nada de inexperiente no time que criou o anúncio da WWF. Na ficha de Cannes constam os nomes do time número 1 da agência. Ai eu pergunto: se foram eles mesmos os criadores, eles vão ficar engessados?
Acho que daqui a pouco a poeira baixa e tudo volta ao normal. Foi uma idéia infeliz, acontece…
Agora, se eu estivesse no lugar dos caras, faria como manda o manual de sobrevivência que estou bolando hehehe:
“Em caso de mimimi internacional, quebre o vidro e aperte o foda-se.”
Dá pra fazer uma lista de coisas que os amiguinhos fizeram lá fora e simplesmente tocaram o Big F pro resto do mundo.
Nunca havia pensado sob este viés. Realmente é muito estranho que certas agências possuam mais espaço na midia do que seus anunciantes.
Conheço um conselho antigo (quiçá bíblico) que diz para julgarmos as profecias, e não os profetas, neste caso as agências.
Ótimo artigo.
Eu já estou cansada dessa história do politicamente correto.
Essa história vai nos deixar na mesmisse.
Manda uma feijoada cheia de língua!!!
Não foram só os americanos, você, eu o resto do mundo que acharam o tal anúncio ridículo. O Bin Laden tá puto também. Afinal, o cara comete o maior atentado terrorista da era moderna, e um criativo que ganha a vida fazendo comercial de sabão em pó compara o feito com um tsunami.
Apesar da repercusão mundial, o que aconteceu aqui foi um erro conceitual,algo comum no nosso dia-a-dia de trabalho. Duplas sêniors também fazem merda e estagiários coisas legais. Neste momento é que um bom diretor de criação faz toda a diferença.
Eu concordo com a regulamentação da propaganda porque ela não é uma forma livre de expressão como a música, o cinema, a impressa,etc. Não dá pra falar o que se quer em um anúncio. Tem o briefing, o cliente, o consumidor e uma meta comercial/institucional a ser atingida. É tudo muito técnico. Ser criativo em propaganda também é uma técnica.
Há boas causas onde a publicidade contribui como mais uma ferramenta de comunicação, só isso. E, mesmo assim, quando aparece um anúncio desse tipo – que são bem legais de criar – a agência procura captalizar para si mesma. Este é o negócio da propaganda. Nada errado, desde que não se crie ilusões. O objetivo da propaganda não é fazer o mundo melhor. Mas se não atrapalhar já faz um grande favor.
[...] This post was mentioned on Twitter by Petterson Farias. Petterson Farias said: Hora de Humanizar. http://bit.ly/4b1WpU Ótimo texto. #casadogalo [...]
Abordagem lúcida e instigante. adoro ler textos como esse!
Muito bom… parabéns…
Muito bom texto!
Concordo com o fato de que a publicidade no Brasil ainda tem suas limitações, ainda mais quando casos como o da DM9DDB.
Porque na boa, falar que ficou ruim é sacanagem, longe disso, uma peça muito bem feita, só deu uma exageradinha de leve no tema, mas ainda assim temos que estimular criações que “saem da casinha”.
Pegem por exemplo as peças da Benetton, tem peças lá que me deixam boquiaberta até hoje quando volto a olhar, tanto que quando vi o anuncio cheguei a me lembrar das imagens!
Mas, mais importante que criações super originais e bla bla bla é usar a publicidade com responsabilidade, pois cada vez mais os publicitarios estão sendo vistos como mentirosos e ludibriadores…
Acho que isso deve ser levado em consideração!
A questão não é de liberdade de expressão, mas sim de produto ruim mesmo. A idéia foi estúpida. Porque tanto papo furado pra justificar uma besteira dessas? Essa lenga lenga de liberdade de expressão, repressão, querem nos silenciar, etc. etc… é uma coisa muito antiga. Chega desse papo. Isso já acabou. A questão aí é queo produto/idéia foi ridícula. Só isso. Esse texto aí ta me parecendo uma revolta adolescente… dramático demais.
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