A ansiedade de ser alguém
“Um gênio é uma pessoa com grande capacidade mental. Ela pode se manifestar por um intelecto de primeira grandeza, ou um talento criativo fora do comum.” – Wikipedia
Todos querem ser especiais. Querem não. Todos sentem, de alguma forma, que são diferentes das outras pessoas. Principalmente os mais jovens. Porque os mais velhos já cresceram, amadureceram, e não se tornaram um Beethoven, um Pelé, um Mozart, um Monet, um Einstein, um Olivetto. Então, se colocam em seus lugares, como sendo mais um na multidão. E a vida é boa assim.
Os mais jovens não. Eles se sentem especiais e têm certeza de que farão a diferença no mundo, no país ou em seu meio. Às vezes nem lhes passa pela cabeça a (mais provável) possibilidade de serem apenas mais um ser humano na Terra. Eles têm tudo pela frente. Eles ainda podem ser Freud, Nietzsche, Dumont. Eles podem qualquer coisa. E esquecem que são normais.
Gênios, gênios mesmo, há muito poucos. Convenhamos, eu e você não temos nenhum talento extraordinário digno de algumas biografias não autorizadas no futuro. A chance de alguém realmente diferente estar lendo isso aqui é muito remota. Quantos gênios há por aí? 0,001%? É triste quando esta ficha cai, mas é a verdade. A gente estuda, trabalha, faz o nosso melhor e pronto. Beethovens nascem bem poucos.
O susto desta descoberta vai passando conforme vamos ficando mais velhos e vamos ficando sem saída. Okay, tenho 25 anos e nenhum dom magnífico. Só resta continuar seguindo, trabalhando aqui e ali, ganhando o suficiente e sendo feliz em diferentes áreas. Deixei de me martirizar por ser mais uma na multidão e comecei a pensar que ser indiferente, invisível e indefinível é maravilhoso. E libertário. Menos cobranças, menos julgamento, menos sofrimento. Talvez menos dinheiro, mas e daí? No final da vida o que vai importar são os momentos felizes. E ser gênio deve dar muito trabalho.
Deixo vocês com estes versos lindos de Armindo Trevisan, que foram o start para o meu conforto:
Homo Viator
Sou homem… Que bom é ser
qualquer coisa, assim, ao léu,
uma pluma de vender,
um pensamento, um chapéu,
enfim ser tão somente isto,
ser apenas pelo meio,
sem um nome, sem um misto
de ancoragem ou de enleio,
ser nada (não é possível)
ser tudo (mas é demais)
ser então o indefinível
nem tão pouco, nem demais.
Ser no amor o amor calado
meio nu, meio essencial,
porque tudo o que é colmado
bem parece horizontal.
Só o que não se aprimora
até ao pormenor existe:
o dia é adulto na aurora,
a noite mais bela, triste.
Por isso, desejo ser
sendo apenas o que sou:
um pouco de parecer
e muito que não chegou.
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Halina Medina, 24, é estagiária de uma multinacional, adora o que faz, mas sonha ser redatora. Apaixonada por publicidade, cães, cinema, ler, escrever, ler e escrever. Gosta de ter a cabeça nas nuvens e os pés no chão. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras.
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Halina Medina, 24, é estagiária de uma multinacional, adora o que faz, mas sonha ser redatora. Apaixonada por publicidade, cães, cinema, ler, escrever, ler e escrever. Gosta de ter a cabeça nas nuvens e os pés no chão. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras. 







Caramba, você não tem ideia da minha ansiedadede de ser alguém.
Você leu “Fora de série:Outliers”?.Nos próximo dias,eu vou postar uma resenha no meu blog.Ele trata essa questão,o sucesso,de forma bem interessante.
Parabéns pelos artigos.
[Responder]
Então sejamos gênios a nossa maneira,ora!
Excelente texto, inspirou o dia.
Me motivou a buscar mais do que tenho, e ser mais do que sou.
[Responder]
Sempre chega uma época que você acha que o que você faz é novidade, mas descobre que alguém faz também, e melhor.
Esse é o exato momento de inovar ou superar os adversários, ou viver para sempre como uma pessoa comum.
[Responder]
Desmotivou legal!
Acabou com o dia que já tava ruim!
Mas o pensamento é verdadeiro. Só que a verdade dói.
Não quer e não consigo me aceitar como mais um na multidão!
Isso, não!
[Responder]
Não posso dizer que concordo com seu ponto de vista Halina. Acho que os chamados gênios apenas são pessoas que jamais perderam o entusiamo e a paixão tão típicos da juventude pela matéria em que eram bons. Você mencionou Beethoven. Ele não enriqueceu em vida. Sua glória e reconhecimento, como a da maioria dos gênios são póstumos. Essas pessoas não perseguiam a genialidade, o ser diferente, apenas eram, e nem sempre eram felizes por não se “encaixarem” na sociedade que os cercava. Tinham sim um dom, o da obstinação, de seguir seus ideais acima de tudo, mesmo que isso os tornasse impopulares. Beethoven era tido como anti-social, consequência da surdez, nem por isso deixou de compor. Tenho quase 38 anos, sou técnica em tradução, bacharel em ciências e matemática, e para ser franca ainda não estou satisfeita. Não me acho um gênio, mas não me entregarei assim tão facilmente. É preciso pagar as contas sim, mas você descobrirá que a mediocridade não satisfará a sua mente. Como disse Leonardo Da Vinci: “aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende”. Mantenha a chama acesa, pois uma jornalista precisa ser curiosa, questionadora, contestadora… Não seja mais uma na multidão, sabe qual o seu dom? O da palavra, você escreve muito bem.
[Responder]
A ansiedade de ser alguém – http://tinyurl.com/b54k6m
[Responder]
THIAGO MORENO
Não li nao! Me fala seu site pra eu ler sua resenha.
Beijinhos
[Responder]
Engraçado que motivei alguns e desmotivei outros. Mas isto que é o mais interessante, cada um é levado para um caminho ao ler o texto, o que permite múltiplas viagens.
O mais importante deste artigo, na minha opinião, é apontar que não ser alguém genial não é nenhum defeito, é o normal na sociedade. E ser normal também é bom.
[Responder]
ADRIANA,
Obrigada pelo elogio! Fico muito lisonjeada. Também concordo que evoluir emocional e racionalmente é maravilhoso, mas nem sempre somos devidamente reconhecidos por isso. Neste artigo quis enfatizar que não ser reconhecido não é uma tempestade, pois é o normal.
Beijos
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Nossa, até parece que fiz esse post kkkkk A ansiedade de ser alguém – Casa do Galo http://is.gd/ikUg
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