349 x 163 – As lições que podemos aprender com Barack Obama
Na madrugada de terça para quarta (5/11) o mundo conheceu o novo presidente dos Estados Unidos da América, o até então senador Barack Husein Obama. Obama é hoje a nova síntese do sonho americano, negro, líder comunitário, filho de imigrante, eleito para o cargo mais importante daquele país. Contra todos os prognósticos iniciais, a campanha ganhou as ruas, as mentes e os corações de milhões de pessoas nos Estados Unidos e no mundo. Mais do que um candidato transracial, Obama tornou-se um candidato transnacional. Mas o que isso tem a ver com publicidade? Tem muito a ver.
A campanha americana foi a mais cara de toda a história, não só dos EUA, mas do mundo. E grande parte deste investimento foi feito em propaganda, mas essa não é a principal relação que a campanha tem com nosso mundo.
A vitória de Obama foi uma vitória da mobilização popular, feita em grande parte através da mídia tradicional, mas sobretudo, da mídia interativa. Obama estava no videogame, em sites, em blogs, no Twitter, no SMS, no YouTube, nas redes sociais, era uma onipresença digital.
Não há como afirmar categoricamente, mas atribuo esta extensa mobilização e a vitória em parte à qualidade, pertinência, freqüência e ousadia destas ações. Claro que a imagem, as propostas e a eloqüência de Obama têm também responsabilidade nisto, mas Al Gore, em 2004, também as tinha e não conseguiu tamanha mobilização.
A campanha de Obama arrecadou em doações pela internet , 33 milhões de dólares. Isso num país onde os valores doados por pessoas físicas são limitados. Que campanha social tem esta adesão? Qual “Criança Esperança”, “Teletom” ou outra que seja tem esta capacidade de mobilização?
A vitória de Obama é também uma vitória aos que pregam a internet como meio de comunicação de massa, como ferramenta de mobilização social, como instrumento para a publicidade e propaganda. Mas a grande lição, que podemos tirar desta vitória, para a publicidade é que ter uma presença na internet não é mais, definitivamente, ter um site ou um blog. Ter presença na internet é se fazer presente no maior número de pontos de presença possíveis, de maneira autêntica, interativa e relevante. E isto vale para candidatos, marcas, produtos e empresas.
Quem não acredita nisso deve se lembrar, que Obama era o azarão no início da campanha, mas, graças a ações estruturadas e coerentes, tinha no final de campanha uma verba dez vezes maior do que a de seu concorrente.
É claro que a proporção do investimento é proporcional ao retorno obtido, mas diferente de Obama, as empresas não tem uma única chance de vencer, nem uma linha de chegada que fica mais próxima a cada dia.
Não é preciso também esperar para fazer tudo de uma só vez, nem investir grandes somas para fazê-lo, grande parte das soluções podem nascer dentro das empresas. Mercados são conversações, como pregado no Cluetrain Manifesto, e não há melhor ferramenta para ampliar o potencial das conversações do que a internet. Yes We Can!
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Nauro Rezende Jr, 31, é publicitário e Diretor de Criação e Planejamento da ID Comunicação. Apaixonado pela profissão e suas ciências. Um idealista. Escreve quinzenalmente para a Casa do galo, às quintas-feiras.
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